Não mate a minha produtividade

O problema.

Vamos esquecer do GTalk, Skype, MSN; do Facebook, do Twitter, dos blogs, sites de notícia, do reddit e do 9gag; o maior assassino da produtividade de um ser humano é a incerteza do que fazer.

Quantas vezes você já estancou no que estava fazendo porque não sabia se o botão iria do lado direito ou esquerdo, quais informações iam ser exibidas para o usuário, quando tal ação deveria acontecer e assim vai? Pense… Só um pouquinho.

E qual o resultado dessa quebra de raciocínio? Improdutividade, você pára, estático se pergunta: o usuário deveria receber o relatório detalhado de cliques ou só um sumário? E se for esse sumário, deveria ser por dia, por semana, por mês? Será que querem que apareça alguma coisa da outra tabela nessa página aqui? E agora?

Getting real?

O pessoal da 37signals fez um ótimo trabalho quando escreveram o Getting Real. Esquecer as etapas de definir escopo, discutir em cima de wireframes, reuniões para definir/detalhar algo e afins e partir para construir a maldita coisa de uma vez. Parece ser a melhor forma de se começar algo.

Quanto mais trabalho programando, mais percebo que isso não leva só a criar um produto mais rápido, coeso e simples de usar, e sim é a melhor forma de não matar sua produtividade (e da equipe).

Ter como especificação um mockup da página, exibindo tudo o que você deve buscar de dados e a forma para exibí-los é onde você descobre como as ações se conectam e visualiza o todo, num só fluxo e não precisa ocupar a cabeça se perguntando: “o que devo fazer agora?”.

Criar os testes torna-se mais prático e direto, você sabe o que a maldita página deve fazer exatamente e portanto sabe o que testar de comportamento.

O apelo.

Por favor, gerentes de produtos, tirem da sua cabeça a interação do produto com o usuário e deixem os designers passarem suas idéias para o mundo. Façam os programadores trabalharem em cima disso, façam com que eles entendam como a aplicação funciona e deve se comportar, deixem trabalharem junto com os designers e aí sim aguarde-os terminarem as tarefas.

Vocês terão aplicações que funcionam como imaginaram, ou melhor, feitas mais rapidamente e com menor retrabalho do que nunca.

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Sr. Inovador e empreendedor

The word innovation has fallen on hard times. There is no innovation superhero, flying around at innovative speeds, using innovative ninja moves to prevent abuse of the word. Simply saying something is great doesn’t make it so, yet as the success of marketing and advertising demonstrates, this doesn’t stop people from trying. The i-word is thrown around so frequently it no longer means anything.
- Scott Berkun. The Myths of Innovation

O que há de errado com as pessoas que se auto-proclamam inovadoras ou empreendedoras?

Quando li “The Myths of Innovation” de Scott Berkun encontrei bem descrito o que eu pensava sobre inovação. Desde não sei quando acho que se transformou mais em buzzword e marketing pitch do que deveria e merecia ser.

Pelo menos no meio tech, todas as empresas inovam continuamente. Todos os seus produtos são inovadores; todos os seus funcionários parecem precisar ter a habilidade “inovador” marcada no curriculum (ao lado de proativo). E eu garanto que a maioria não saberia como responder “O que vocês fazem de inovador?”.

Inovar, inovar e… Desmistificar.

Para quem leu o livro de Berkun eu não tenho nada a acrescentar. A análise e as referências são tão perfeitamente colocadas que não deixam margem para eu adicionar algo.

Para os que não leram, experimentem somente o prefácio. Apesar de parecer (e ser) um livro acadêmico, é gostoso, simples e, na maioria do tempo, assertivo. E bem cheio de referências e citações.

Berkun desmistifica o que é realmente uma inovação. As melhores partes estão no começo, é relaxante ler que não existe uma pura e simples epifania, que toda inovação é um processo de conhecimento, indagação, tentativa e erro e fracassos.

Também nos primeiros capítulos ele já desbanca o mito de que as melhores idéias sempre saem vencedoras e de que seu chefe sabe mais sobre inovação do que você. Cada capítulo é voltado a um mito, e são 11 deles…

Acho que todos que eu conheço já me ouviram falar: leia o livro, eu sofro de um mal de que não consigo sintetizar. Ponto. Sou muito melhor dando sugestões do que resumindo algo complexo, sinto vontade de detalhar mais e mais e acabo fazendo o péssimo trabalho de parafrasear.

Novamente, leia o livro. Ele me fez pensar e aprender que ser inovador não é para uns poucos selecionados. Muito menos que qualquer um pode dizer que tem algo “inovador” no portfólio.

Eu empreendo, tu empreendes, ele…

Esse buzzwording quanto à inovação me deixa com o mesmo amargo de quando leio alguém se auto-proclamado empreendedor, ou melhor, enterpreneur. Como Max Niederhofer parafraseia no 1º post do 24 ways to start: se chamar de empreendedor é como se chamar de santo.

Simplesmente isso. Você não se proclama empreendedor, você não se proclama inovador. Você se torna isso, outras pessoas te dizem que você é isso. Uma empresa dizer que “produz produtos inovadores de formas inovadoras” não diz nada, assim como os valores ou missões genéricos de “prover o melhor serviço ao nosso cliente”, parece, e é, vazio. Alguém se apresentar como “Olá, eu sou um empreendedor” soa pretensioso, se você o for, eu vou reconhecer isso, e em qualquer lugar a humildade ganha de um título no longo prazo.

Então pare com isso.

Os verdadeiros empreendedores e inovadores estão por aí, se aventurando, experimentando e aprendendo. Não se encontrando em reuniões mensais com outros inovadores para dizer que também o são.

And so of those of you who call yourself entrepreneurs in your Twitter by-lines, I ask: what have you made that people have wanted? What have you created today that they have lined up to pay you for? Whose yearnings have you addressed, whose cravings have you satisfied?
- Max Niederhofer. Reflections On Entrepreneurship

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Começando

“It doesn’t matter where you start, as long as you start.”
- John Cage

Em 2010 me animei com eBooks, e eu os odiava antes. A Amazon com a Kindle Store me corrompeu e então comecei a ler livros inteiros na tela do iPhone (mas parei com isso quando consegui algo com uma tela maior, juro).

Entre outubro e novembro do ano passado comprei alguns eBooks, entre eles o “Founders at Work” e o “Coders at Work“. Já na resenha eu senti que ia gostar disso. A partir daí aquelas horas em que eu descia para fumar não eram mais para atualizar meu Google Reader ad eternum.

Li-os quase todo assim, entre um ou outro café, cigarro ou final de semana em casa… E mesmo sendo uma leitura descompromissada, as entrevistas e as histórias por trás me marcaram sutilmente.

Os dois são interessantes coleções de entrevistas. E o meu lado amante de um bom documentário fez o restante.

O Founders entrevista Steve Wozniak para falar sobre a Apple, Caterina Fake do Flickr, Max Levchin do PayPal, Joel Spolsky da Fog Creek Software (e autor do ótimo Joel on Software) e vários outros, com boas histórias de sucesso ou fracasso.

As entrevistas começam quase sempre contando a história por trás da idéia do produto/serviço. E isso me cativou, acho que todos temos a vontade de conhecer o processo de surgimento de uma idéia, ver que nada foi criado como uma epifania mas também não foi um mero acaso. Saber realmente como uma empresa começou e o que pensa, e não como o site institucional diz que começou ou o que defende. Isso sim me deu insights completamente novos, criei uma intimidade com aquelas empresas, uma empatia pelo começo…

O Coders faz algo no mesmo caminho, entrevista Douglas Crockford, Peter Norvig, Donald Knuth e outros notáveis da arte/ciência da computação, sempre contando a história de como começaram, o que erraram, o que gostam de fazer, como se desenvolveram e como aprenderam.

Ambos os livros contam sobre os caminhos do começo de histórias interessantes e minimamente notáveis. E isso as aproxima do meu mundo. Acho que foi assim que eu assumi o quanto colocava (e imaginava) esses começos num pedestal inatingível.

Só contei isso como uma introdução, um pouco torta e com cara de resenha, admito, para o porquê resolvi começar com este blog. Resolvi começar porque todos temos pequenas histórias a contar… Steve Yegge, em um ótimo post, explica as razões para se escrever um blog, e no seu último parágrafo diz:

When it comes down to it, I’m asking you to write blogs because I know you’ve got really interesting things to say, even if you don’t think they’re that interesting. Your life is interesting, and your opinions of technology, Amazon, and life in general matter to me, and to others. I bet you’ve got a lot you could teach me, even if you don’t think you do.
- Steve Yegge

E eu comecei a acreditar que quase qualquer história é interessante o suficiente para ser contada…

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